Reflexos da Pandemia |Os efeitos da crise na indústria no Vale do Paraíba

Reflexos da Pandemia |Os efeitos da crise na indústria no Vale do Paraíba

Na região, o primeiro grande abalo foi a decisão da Ford de anunciar a saída do Brasil, em janeiro de 2021, fechando todas as suas fábricas no país, incluindo a de Taubaté.

A pandemia refletiu de forma direta em diversos setores da economia, dentre eles o da indústria. No Vale do Paraíba, as empresas dessa modalidade vivem uma espécie de ‘terremoto’ desde o início deste ano, devido à crise.  

Na região, o primeiro grande abalo foi a decisão da Ford de anunciar a saída do Brasil, em janeiro de 2021, fechando todas as suas fábricas no país, incluindo a de Taubaté. O fim do ciclo de produção no Brasil terá impacto financeiro de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes.  

A LG também anunciou o fechamento da unidade que produzia smartphones na fábrica de Taubaté. A justificativa da marca é que o setor enfrenta prejuízos seguidos há seis anos. A produção de monitores e notebooks foi transferida da cidade taubateana para Manaus, para ter acesso a benefícios fiscais. 

O efeito direto desses ‘abalos sísmicos econômicos’ é a ameaça a cerca de 2.000 postos de trabalho na região Valeparaíbana, sendo 830 na Ford, 700 na LG e mais 430 em empresas fornecedoras exclusivas da companhia coreana em São José dos Campos e Caçapava. Três outras empresas estão com seus empregos ameaçados por causa disso.  

“Com esses empregos ameaçados, muitas pessoas acabam saindo da sua área de atuação para tentarem outras oportunidades, o que gera um abalo grande na economia. O trabalho na indústria é bem característico e geralmente quem sai demora mais tempo para se recolocar no mercado de novo, ainda mais em tempos de pandemia, na qual não se sabe quando tudo isso vai passar”, conta André Salerno, Mestre em Dados Financeiros de Mercado e Professor da Conexão Conveniada FGV.  

Desemprego 

No período de janeiro de 2014 a fevereiro de 2021, a economia da região amarga a perda de 44 mil postos de trabalho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. 

Desse total, 60% dos cortes ocorreram no setor industrial, que tem saldo negativo de 26,4 mil empregos perdidos desde 2014. “Não se pode fazer uma previsão de quando tudo isso pode voltar ao normal, já que a pandemia ainda não tem uma data para seu fim. O certo seria planos públicos eficientes. Nós acreditamos que esses reflexos podem durar uns cinco anos”, completou André.  

Aprofunde seus conhecimentos sobre as demandas do mercado de acordo com os cenários da atualidade, com o MBA em Gestão: Estratégia de Mercado da Fundação Getulio Vargas.  

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