Novos modelos de trabalho não se aplicam para todas empresas

Novos modelos de trabalho não se aplicam para todas empresas

Home Office, coworking, entre outros, exige disciplina e adequação ao negócio

O mundo vive uma transição nas suas relações de trabalho na última década. Os avanços da tecnologia e da comunicação criaram possibilidades de formatos de trabalho que antes seriam improváveis. Mas será que esses formatos se adéquam a todo tipo de negócio? Qualquer pessoa tem a disciplina necessária para trabalhar em casa?

“Grandes varejistas online são gigantes mesmo sem lojas físicas. A maior locadora de vídeos do mundo, a Netflix, não tem nenhum local onde você pega seus filmes. A nuvem virou o novo centro de distribuição da nova economia. Com isso, é natural que novos formatos de negócios surjam: mais flexíveis, mais econômicos e compartilhados”, diz o professor da Conexão FGV, Alexandre Correia Lima.

Ao mesmo tempo, alguns negócios não são ideais para esses novos modelos de trabalho. Atividades de serviço e consultoria, na qual a estrutura física não exerce um papel tão relevante têm uma maior adesão.  “Há negócios que pela sua própria natureza demandam um nível de interação física com o consumidor muito mais intensa. Uma padaria, por exemplo, terá mais dificuldade em se virtualizar do que um negócio de softwares por exemplo, ainda que você possa criar um serviço delivery para a padaria”, explica Alexandre.

Há também a questão da disciplina de cada pessoa. Há quem não consiga fazer um curso à distância por não conseguirem manter o foco enquanto estão em casa, por exemplo. Nesses casos, o home Office pode não funcionar, mas o coworking sim. “Porque possibilita a imersão num ambiente profissional, sem as distrações presentes no lar, costuma ser mais econômico do que um escritório convencional e ainda possibilita interação com outros profissionais de outras áreas. Talvez você até encontre sinergia com outro profissional, que vai poder exercer alguma atividade complementar à sua ou mesmo indicar o seu serviço, acrescenta.

 

O “modelo Google”

Trabalhar de bermuda, ir ao escritório somente se for necessário, ter uma guitarra em cima da mesa de trabalho... Imagens assim lembram as empresas de tecnologia, mas principalmente o Google. Esse modelo menos rígido é defendido sob a tese de aumento de produtividade, mas nem sempre funciona assim.

“O próprio Google tem feito testes internos para medir a eficiência de times capitaneados por uma liderança e por times inteiramente livres, e os resultados, por enquanto, endossam a importância da liderança tradicional”, conta Alexandre.

Segundo o professor, esses movimentos talvez sirvam mais para dizer para aonde o futuro aponta do que para estabelecer categoricamente o modelo ideal para todas as empresas. “São como desfiles de alta costura, apontam as tendências, mas a maioria dos mortais acharia extravagante demais sair na rua ostentando aquelas vestimentas exóticas, mesmo que possuíssem o dinheiro necessário para isso”.

“Desse modo, adotar cegamente o ousado modelo de gestão de grandes empresas de tecnologia talvez seja algo tão imprudente quanto ignorar os novos ventos e querer gerenciar como se ainda estivéssemos no século XX. É preciso conhecer a natureza de cada negócio, a cultura própria de cada empresa e construir as pontes para formas mais eficientes de lidar com os desafios do mundo contemporâneo.

Em última instância, se cercar sempre dos melhores profissionais, que é uma receita de sucesso que até hoje não mudou. E se talento já era importante, numa economia fluída e movida à inovação, será ainda mais importante”, finaliza.

 

PROFESSOR FGV:

ALEXANDRE CORREA LIMA

Palestrante e Diretor-Presidente da MIND COMUNICAÇÃO e MIND PESQUISAS. Pós graduado em Administração de Marketing, possui um Master em Comunicação Empresarial (MBC) e cursou a Escola Avançada de Pesquisa de Mercado na University of Georgia (Atlanta/EUA). É membro ativo da American Marketing Association.

 

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